quinta-feira, 6 de novembro de 2008

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Di sseram-me um dia 'Ri ta, põe-te em guarda'
'A viso-te, a vida é du ra, põe-te em guarda'


Cerra os dois punhos e an dou, põe-te em guarda
Eu disse adeus à desdita
E lancei mãos à aven tura
E ainda aqui está quem falou

Galguei caminhos de ferro, põe-te em guarda
Palmilhei ruas à fome, põe-te em guarda
Dormi em bancos à chuva, põe-te em guarda
E a solidão, não erre

È só chamá-la o seu nome
Vai que nem uma luva

Andei com homens de faca, põe-te em guarda
Vivi com homens safados, põe-te em guarda
Morei com homens de briga, põe-te em guarda
Uns acabaram de maca
E outros inda mais deitados
O coveiro que o diga

coveiro que o diga
Quantas vezes se apoiou na en xada
E o coração que o conte
Quantas vezes já bate


Pra nada

E um dia de tanto andar, põe-te em guarda
Eu vi-me exausta e exangue, põe-te em guarda
Entre um berço e um caixão, põe-te em guarda
Mas quem tratou de me amar
Soube estancar o meu sangue
E soube erguer-me do chão

Veio a fama e veio a glória, põe-te em guarda
Passaram-me de ombro em ombro, põe-te em guarda
Encheram-me de flores o quarto, põe-te em guarda
Mas é sempre a mesma história
Depois do primeiro assombro
Logo o corpo fica farto

E o coração que o conte
Quantas vezes já bateu
Pra nada

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