terça-feira, 23 de dezembro de 2008

22










doce.
às direitas e do avesso.

segunda-feira, 22 de dezembro de 2008

21

"É um livro de mãos livres, livres das convenções da escrita académica, adoptadas para não deixar entrar a vida nas páginas de quem sempre escreve sobre e nunca escreve com."

quinta-feira, 18 de dezembro de 2008

quinta-feira, 11 de dezembro de 2008

19















Já está feita. Com menos magia, mas pronta. Agora faltam os biscoitos e as canções.

quarta-feira, 3 de dezembro de 2008

18

Leio, quase todos os dias, alguns blogues. Alguns são de amigos meus, outros de conhecidos, outros de 'quase' conhecidos - leio-os tantas vezes, que parece que até os conheço - e outros de completos desconhecidos. A maioria são blogues pessoais e uns quantos especializados - sobre política, sobre arte e design, sobre viagens. Um deles ainda hoje me surpreende. Quando o li pela primeira vez, pensei 'que tipa petulante' (e de direita...). Mas, é como os avós dizem, primeiro estranha-se, depois entranha-se. A Rititi é uma das minhas leituras diárias. Quase sempre me rio e cada vez mais me revejo na sua extravagância, capacidade de análise, espírito crítico e mente aberta/slutty. Ora vejam vocês.

17
















Gosto.
As polémicas sobre a requalificação do Bairro Alto e da baixa da cidade e os mega projectos de limpeza de fachadas em Lisboa puseram-me a pensar em formas criativas, 'cost effective' e bonitas de transformar espaços urbanos degradados. Acima está um exemplo. Dois artistas plásticos espanhóis (?) que percorrem os quatro cantos da España e fazem obras de arte em zonas em ruínas ou menosprezadas. Gosto. Do feio fazer bonito. Do quase nada, fazer muito.

16

terça-feira, 2 de dezembro de 2008

15

A Rita levou meu sorriso
No sorriso dela
Meu assunto
Levou junto com ela
O que me é de direito
E Arrancou-me do peito
E tem mais
Levou seu retrato, seu trapo, seu prato
Que papel!
Uma imagem de são Francisco
E um bom disco de Noel

A Rita matou nosso amor
De vingança
Nem herança deixou
Não levou um tostão
Porque não tinha não
Mas causou perdas e danos
Levou os meus planos
Meus pobres enganos
Os meus vinte anos
O meu coração
E além de tudo
Me deixou mudo
Um violão

A Rita, Chico Buarque

Riscar o que não interessa, claro.

segunda-feira, 1 de dezembro de 2008

14

eu engano-me
tu enganaste-te
nós enganamo-nos
engano e
desengano
e outra vez:
engano e
desengano
só mais uma vez?
engano e
desengano
e mais outra?

domingo, 30 de novembro de 2008

13

meio-sorriso. ah.
eu entendo, sim.
outro meio sorriso.
não é que o botão de alarme está mesmo onde nunca o procurámos?
hum... e o ar está mais leve, não está?
e eu já estou mais em mim.

12

"Nothing hurts like you" fotografias de Erika Svensson. Brancas e pouco rarefeitas. Poéticas de vida.

quinta-feira, 20 de novembro de 2008

11

Quem pagará o enterro e as flores
Se eu me morrer de amores?
Quem, dentre amigos, tão amigo
Para estar no caixão comigo?
Quem, em meio ao funeral
Dirá de mim: — Nunca fez mal…
Quem, bêbado, chorará em voz alta
De não me ter trazido nada?

Quem virá despetalar pétalas
No meu túmulo de poeta?
Quem jogará timidamente
Na terra um grão de semente?
Quem elevará o olhar covarde
Até a estrela da tarde?
Quem me dirá palavras mágicas
Capazes de empalidecer o mármore?

Quem, oculta em véus escuros
Se crucificará nos muros?
Quem, macerada de desgosto
Sorrirá: — Rei morto, rei posto…
Quantas, debruçadas sobre o báratro
Sentirão as dores do parto?
Qual a que, branca de receio
Tocará o botão do seio?

Quem, louca, se jogará de bruços
A soluçar tantos soluços
Que há de despertar receios?
Quantos, os maxilares contraídos
O sangue a pulsar nas cicatrizes
Dirão: — Foi um doido amigo…
Quem, criança, olhando a terra
Ao ver movimentar-se um verme

Observará um ar de critério?
Quem, em circunstância oficial
Há de propor meu pedestal?
Quais os que, vindos da montanha
Terão circunspecção tamanha
Que eu hei de rir branco de cal?
Qual a que, o rosto sulcado de vento
Lançara um punhado de sal
Na minha cova de cimento?

Quem cantará canções de amigo
No dia do meu funeral?
Qual a que não estará presente
Por motivo circunstancial?
Quem cravará no seio duro
Uma lâmina enferrujada?
Quem, em seu verbo inconsútil
Há de orar: — Deus o tenha em sua guarda.

Qual o amigo que a sós consigo
Pensará: — Não há de ser nada…
Quem será a estranha figura
A um tronco de árvore encostada
Com um olhar frio e um ar de dúvida?
Quem se abraçará comigo
Que terá de ser arrancada?
Quem vai pagar o enterro e as flores
Se eu me morrer de amores?

Vinicius de Moraes, 1950

9

boca, olhos, nariz, orelhas, bochechas, cabelo, pescoço.

quarta-feira, 19 de novembro de 2008

10

ping, pong
é a chuva
ping, pong
olho, desolho
ping, pong
tapo, destapo
ping, pong
escrevo, apago

terça-feira, 18 de novembro de 2008

8

é tudo meu. o que trago comigo. é tudo meu.
sinto a vontade. e a falta que me sobra é de ti.

mesmo quando o que eu queria,
o que eu queria era ser contigo.

segunda-feira, 10 de novembro de 2008

6

encarar. é por uma cara ao medo.
é por-nos no que não sabemos mas podemos.

5

pode alguém ser quem não é?

sábado, 8 de novembro de 2008

4

se eu crescer una, vou ser quase sempre desequilibrada.
o balanço surge das muitas peças de que vamos sendo feitos e cheios. agora queria estar cheia de ar, ventilar os medos e os venenos e poder andar com pé.

sexta-feira, 7 de novembro de 2008

3

quanto querer cabe num silêncio?
quanto de vontade preenche um silêncio?
quanto do que é nosso cabe num silêncio?
quanto de diferença se põe num silêncio?
quanto do que somos a vida toda se espelha num silêncio?
quanto de fim fica num silêncio?
quanto silêncio se mascara?
quanto silêncio se pode interromper?
quanto silêncio termina e é bem-vindo?
quanto silêncio é apenas pausa de música?

2

chove com aquela intensidade dos dias de fevereiro. ouvimo-la a bater rápido, sonora, nos vidros, nas coisas lá fora. faz-nos estremecer. quando pausa, pausamos também. suspendemos o que fazemos e vamos à janela ver das coisas lá de fora. para ver se desarrumadas e desalinhadas lá fora, justificadas, nos apegamos a arrumar-nos aqui.

quinta-feira, 6 de novembro de 2008

1

às vezes queremos memória para poder esquecer, tranquilas. para repousar o passado, ali, e saber andar o que falta.
a ausência mói porque não tem cara, nem voz. não tem em nós os olhos postos, nem de nós se faz e de nós vive. a presença mói porque está ali e não é nossa nem para nós. apenas paira.
mas no espaço em que as ausências minguam e as presenças se transformam, o luto faz-se e as vidas vão prosseguindo, cá e lá, de longe e de perto. até que deixam de doer e tornam-se apenas mais uma coisa de nós. nem boa, nem má. apenas parte.

...

Di sseram-me um dia 'Ri ta, põe-te em guarda'
'A viso-te, a vida é du ra, põe-te em guarda'


Cerra os dois punhos e an dou, põe-te em guarda
Eu disse adeus à desdita
E lancei mãos à aven tura
E ainda aqui está quem falou

Galguei caminhos de ferro, põe-te em guarda
Palmilhei ruas à fome, põe-te em guarda
Dormi em bancos à chuva, põe-te em guarda
E a solidão, não erre

È só chamá-la o seu nome
Vai que nem uma luva

Andei com homens de faca, põe-te em guarda
Vivi com homens safados, põe-te em guarda
Morei com homens de briga, põe-te em guarda
Uns acabaram de maca
E outros inda mais deitados
O coveiro que o diga

coveiro que o diga
Quantas vezes se apoiou na en xada
E o coração que o conte
Quantas vezes já bate


Pra nada

E um dia de tanto andar, põe-te em guarda
Eu vi-me exausta e exangue, põe-te em guarda
Entre um berço e um caixão, põe-te em guarda
Mas quem tratou de me amar
Soube estancar o meu sangue
E soube erguer-me do chão

Veio a fama e veio a glória, põe-te em guarda
Passaram-me de ombro em ombro, põe-te em guarda
Encheram-me de flores o quarto, põe-te em guarda
Mas é sempre a mesma história
Depois do primeiro assombro
Logo o corpo fica farto

E o coração que o conte
Quantas vezes já bateu
Pra nada