Há pouco senti saudades lancinantes de ter cadernos novos nas mãos e escrever sem pensar.
Como se o pulso tivesse outra dona e não me pertencesse mais.
Isto dos computadores, das folhas de word brancas, que criamos virtualmente uma vez, outra e outra não é a mesma coisa. Não é palpável, rasurável. É tudo muito etéreo para o meu gosto. E não me dá gosto escrever assim. É como se me tivesse dividido em dois: nos cadernos escreve-se o que se vai sentindo e achando; nos computadores escreve-se o que se pensa mas de forma muito estruturada: 1, 2, 3, 4 e finalmente. Às vezes quando penso nas divisões que parece que nos comandam e condenam - dentro/fora, razão/coração, falso/verdadeiro - apetece-me mandar tudo para o alto e não me dividir mais.
Estou num processo de escrita. Difícil. Tenho uma ideia, razões, uma estrutura, uma lógica, um pensamento maior que o texto e um objectivo. Mas parece-me tudo tão estéril ao mesmo tempo. Para que serve este texto? Para quem serve?